11 · Casos de uso guiados — do problema ao parecer
Quatro roteiros completos, passo a passo, com o que olhar em cada tela e as armadilhas de leitura de cada cenário. Os nomes são fictícios; os caminhos são os do produto real.
Comece pelo roteiro que se parece com o seu problema:
| Se você precisa… | Vá para | Produtos usados |
|---|---|---|
| Aprovar (ou barrar) uma empresa antes de contratar | Roteiro 1 | Dossiê PJ + certidões |
| Verificar uma pessoa antes de admitir ou dar procuração | Roteiro 2 | Dossiê PF |
| Entender quem está por trás de um grupo de empresas | Roteiro 3 | UpLink |
| Acompanhar centenas de nomes sem olhar um a um | Roteiro 4 | Lotes + Monitoramento |
Roteiro 1 · Homologar um fornecedor (PJ)
Situação: sua empresa vai contratar a Alfa Serviços Ltda. Você precisa de um parecer de integridade em 30 minutos.
Passo 1 — Dossiê Compliance PJ (R$ 19,90).
Nova Consulta → CNPJ → perfil Compliance PJ. Ele já inclui as fontes
públicas de integridade (TCU, IBAMA, PGFN, CGU, contratos federais).
Passo 2 — Leia o painel de decisão, não a lista de fontes. O topo do dossiê responde primeiro: status geral, os alertas mais graves, limitações. Se aparecer "correspondência por nome" nas limitações, anote: tudo que depender disso precisa de confirmação de identidade.
Passo 3 — Score: leia os FATORES. Score 45 não significa nada sozinho. Abra os fatores: 45 = "dívida ativa (25) + processos trabalhistas (15) + porte divergente (5)" é uma história; 45 = "sanção vigente (40) + resto" é outra completamente diferente.
Passo 4 — Confronto histórico × oficial. O dossiê traz o cadastro do bureau E certidões emitidas ao vivo. Procure os alertas de divergência (tipologias CF1/CF2): bureau dizendo "ATIVA" e Receita dizendo "BAIXADA" é achado grave — empresa baixada operando.
Passo 5 — Tipologias.
- B1 (recém-aberta com contrato federal) disparou? Verifique capacidade operacional — visita, quadro de funcionários, sede real.
- CP1 (doador recebendo contrato)? Avalie conflito de interesse.
- Estado "sugere"? O sistema está dizendo o que falta comprar para confirmar — decida se o valor justifica.
Passo 6 — Se houver vínculo suspeito, suba para o UpLink. Dossiê é foto do alvo; rede de sócios é caso para grafo (Roteiro 3).
Parecer honesto inclui: o que foi verificado (fontes + datas), o que NÃO foi (fontes em "cobertura parcial" — ausência não atestada), e a força de cada achado citado.
Roteiro 2 · Verificação pré-contratação (PF)
Situação: candidato finalista para cargo com alçada financeira.
Passo 1 — Recursos Humanos PF (R$ 12,90) cobre o essencial: cadastro, processos, KYC, estabilidade profissional. Para alçada alta, considere Compliance PF (R$ 16,90) — adiciona screening em bases públicas, PEP e listas internacionais.
Passo 2 — Atenção máxima com homônimos. Nome comum = risco de match nominal. Se aparecer sanção ou processo com selo de correspondência por nome, o percentual exibido é o quão parecido o nome é — não a probabilidade de ser a mesma pessoa. Confirme por CPF antes de qualquer decisão (a fonte do achado diz se o documento consta).
Passo 3 — Processos: o papel importa. "5 processos" sem leitura é ruído. Abra o card judicial: o candidato é réu, autor ou testemunha? Trabalhista como AUTOR é exercício de direito, não mancha.
Passo 4 — O que a lei não deixa usar. O relatório pode trazer mais do que você pode considerar na decisão de contratar. A régua jurídica da sua empresa (e a CLT/LGPD) decide o que entra no parecer — o produto entrega o dado com a fonte; o filtro de uso é seu.
Armadilha do cenário: "Sem ocorrência" em TODAS as fontes ≠ ficha limpa universal — significa que NAQUELAS bases não há registro. O parecer deve dizer quais bases foram consultadas.
Roteiro 3 · Investigar uma rede (UpLink)
Situação: três empresas ganham licitações alternadas na mesma prefeitura. Hipótese: são o mesmo grupo.
Passo 1 — Caso multi-alvo.
UpLink → pesquise o CNPJ da primeira → crie a investigação. Adicione as
outras duas como alvos do MESMO caso. Empresa ou sócio em comum entre os
alvos vira automaticamente UM nó ligando os grafos — sem heurística: é o
documento que une.
Passo 2 — Expansões na ordem certa (economia primeiro).
- QSA e vínculos societários nas três (pago, barato) — revela pessoas;
- Integridade pública + Dinheiro público (R$ 0) — sanções e contratos;
- Contatos e endereços — alimenta as correlações de rede;
- só então o que for caro (UBO, processos detalhados) — e o Planner já sugere o próximo passo com melhor custo×hipótese.
Passo 3 — Leia a aba Sinais antes de olhar o desenho.
- Coabitação/Contador (COAB/CONT): as empresas dividem endereço ou o mesmo escritório contábil marcado pela fonte?
- Intermediário: quem é a ponte entre os grupos? Em rede de licitação, o intermediário costuma ser a pessoa que importa.
- Ciclo societário: A dona de B, B dona de C, C dona de A — ocultação de beneficiário.
- Sócio recorrente entre casos: se sua organização já investigou essas pessoas em outro caso, a correlação entre casos aparece.
Passo 4 — Arestas tracejadas são pistas. Mesmo telefone entre duas empresas = correlação inferida. Vale investigação, não vale afirmação. Para afirmar, procure o vínculo documental (QSA, contrato).
Passo 5 — Pergunte ao agente. "Qual o caminho entre a Empresa A e o Sócio X?" — o agente responde pelo caminho de MENOR custo de confiança (prefere elos documentais a inferências). Ele não vai chamar ninguém de "laranja": descreve o padrão e cita as arestas.
Passo 6 — Relatório. O relatório do caso usa exatamente o que está no canvas — os números batem. Descarte de alerta pede motivo e fica auditado: sua diligência vira trilha.
Armadilha do cenário: nó sem documento (só nome) pode fundir homônimos — o painel avisa "possível homônimo". Não conclua vínculo por nó avisado; confirme o CPF primeiro (expansão nele está bloqueada de propósito).
Roteiro 4 · Carteira sob vigilância (Monitoramento + Lotes)
Situação: 800 fornecedores ativos; você precisa saber QUANDO algo mudar.
Passo 1 — Lote inicial.
Lotes → CSV com os 800 CNPJs → validação mostra linhas rejeitadas ANTES de
cobrar → confirme. O lote consome franquia de dossiês (800 linhas = 800
consultas — confira o contador do mês antes).
Passo 2 — Triagem pelo score. Ordene por score; trate a cauda crítica primeiro (Roteiro 1 em cada um).
Passo 3 — Monitoramento nos relevantes. Nos fornecedores de maior exposição: alvo monitorado, frequência diária; no resto, semanal. Sem saldo, o alvo pausa sozinho — não há surpresa de cobrança.
Passo 4 — Trate eventos, não relatórios.
O valor do monitoramento é o diff: "nova sanção", "mudança societária",
"tipologia nasceu" (typology_new — o padrão passou a existir AGORA).
Evento de tipologia = reabrir o caso e reavaliar, com o capítulo 5 na mão.
Passo 5 — Reprocesso. Linhas que falharem no lote: botão de reprocessar tenta só as falhas, sem recobrar as concluídas.
A régua dos quatro roteiros
- Painel de decisão primeiro, fontes depois.
- Força do achado antes de qualquer conclusão (confirmado / revisar / nome).
- "Cobertura parcial" entra no parecer como limitação, nunca como "nada consta".
- Fonte pública primeiro (R$ 0), pago depois — o Planner ajuda.
- O que o sistema marcou como incerto, você confirma antes de usar.